Um Pouco de Teoria e de Esperança

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Um Pouco de Teoria e de Esperança

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UM POUCO DE TEORIA E DE ESPERANÇA

Dr. Cláudio Naranjo (*)

Na medida em que envelheço, vejo mais claramente as coisas, e penso que nos temos o mundo que temos porque não possuímos uma educação que seja mais relevante para nossas reais necessidades.

O modelo educacional que prevalece hoje, cresceu com o início da idade industrial e é largamente orientado para um currículo implícito de ensinar pessoas a respeitar seus superiores, a permanecer quietos e a ser pacientes com tarefas repetitivas. Porém, o que nós precisamos mais e mais urgentemente, é uma educação que estimule o desenvolvimento do indivíduo, não apenas o físico e o intelectual, mas, o emocional e também o espiritual.

Um dia vamos perceber como nossos inúmeros problemas sociais – que hoje nos levam para o que parece ser a beira de um abismo – não são independentes uns dos outros mas estão relacionados a um problema de não desenvolvimento psicoespiritual. Em outras palavras, podemos concluir que temos um mundo que temos pela falta de uma outra educação, e não a que prevalece hoje.

Há pessoas que pensam que o mundo seria melhor se tivéssemos mais educação. Eu quero dizer que não concordo com isso. Não acho que nos ajude o fato de se ter mais do que hoje chamamos de educação. Simpatizo, ao invés disso, com o movimento atualmente crescente, que consiste em pais que escolhem tirar seus filhos da escola para guia-los por um processo de aprendizagem em casa e, mais amplamente no mundo. Também simpatizo com a ideia de desescolarização, apesar de achar que, já que nós já temos escolas, seria melhor usá-las para algo verdadeiramente significativo.

Se formarmos seriamente a recomendação da UNESCO de assegurar que as pessoas aprendam entre coisas a conviver, deveremos estar conscientes de que isso não é algo que irá acontecer espontaneamente, por meio de interações apropriadas de grupos ou comunidades, mas que, também, requer a intenção de curar o mundo emocional dos indivíduos. Isso é o que subjaz as relações com os outros e à relação dos indivíduos consigo mesmos.

Quando falo sobre curar o nosso mundo emocional, quero dizer recuperar nossa capacidade natural de amar, o que, por sua vez, envolve desaprender padrões de comportamento destrutivos, adquiridos na infância, em reação as dificuldades psicológicas das famílias e aos reveses da vida.

Depois de muitos anos na direção de uma escola que tem sido comumente conhecida, entre outras coisas, como uma escola de amor, essa agora começa a estar preocupada com a educação. As pessoas falam da minha pedagogia do amor. Mas trabalham mais com adultos do que com pessoas jovens. Como tenho descrito meu trabalho em livros, direi apenas, aqui, que é possível muito mais do que nós imaginamos,  já que sabemos como combinar certos poderosos recursos pouco conhecidos e negligenciados.

O processo experiencial de alto consciência, ou de auto conhecimento, é um dos componentes da transformação afetiva que está no coração da psicoterapia. É um tipo de descida ao inferno, e ao mesmo tempo, um processo de purificação, ou seja, um processo em que os aspectos disfuncionais da vida emocional são desativados por meio do entendimento. Porém, auto consciência não é tudo. Também deve haver uma catarse das emoções reprimidas da infância, que não devem ser só relembradas, mais inteiramente sentidas, ou seja, experiênciadas, mergulhando-se profundamente nelas. E, então, é também necessário desaprender os padrões de comportamento automáticos ou habituais pelos quais expressamos nossas emoções negativas.

Há vários recursos disponíveis nos campos da psicoterapia e da espiritualidade para educar o coração. Acho que o nosso ideal não deveria ser meramente importar recursos para dentro das escolas, mas, de preferencia, uma mais complexa assimilação: uma integração original em uma nova síntese, uma transferência de tecnologia suficientemente meticulosa para que não seja necessário usar a terminologia ou as fórmulas visíveis da psicoterapia ou das escolas espirituais tradicionais.

Se aqueles que ensinam entendessem claramente como a expressão do potencial de amar de uma pessoa é uma chave para a felicidade, além de uma garantia contra o vampirismo da sede insaciável por amor, eles certamente transmitiriam esta convicção. Então, fariam a seus alunos um grande favor, levando-os a se interessar pela ideia de um caminho de amor, ou seja, de que o amor é algo que pode ser cultivado por meio da prática.

Tornar-se saudável não é apenas ter a consciência da doença e fazer a catarse ou o seu exorcismo pelas técnicas de expressão. É também a recuperação da saúde intrínseca do que podemos não só chamar de criança interior, mas de animal interior. Essa recuperação é, ainda a libertação de impedimentos psicoculturais, o que podemos descrever como um processo de desaprendizagem, de livrar-se de um tipo de parasita mental. É uma mudança para melhor para nossos futuros educadores, seria entender que a saúde, assim como a própria liberdade, não é tanto algo adquirido, mas aquilo que chega com um rompimento da prisão das condições da infância em que todos cresceram. Ao embarcar na aventura do autoconhecimento, eles aprendem a olhar para além de suas paredes.

Minha proposta é de uma educação tri focal que leva em conta o desenvolvimento harmônico dos três aspectos do cérebro, que tem a ver com o pensar, sentir e querer, harmonizando nossa família nuclear interior, composta de pai, mãe e filho. É indubitável que a educação tradicional não só privilegia o intelecto mas que se volta sistematicamente contra a instintividade e a afetividade de nossa natureza animal, vilificando-a e dando origem a autorejeição sistemática. Além disso, é não menos evidente, apesar da retorica atual em torno da recuperação dos valores, a educação não só não ajuda o desenvolvimento afetivo como o posterga ou o perturba.

Hoje se fala bastante de educação integral ou holística, e a UNESCO proclama um ideal holístico ao reconhecer a importância não só de aprender a fazer e aprender a aprender como também aprender a conviver a aprender a ser. Porém, parece que impera certa confusão entre a retorica e a realidade. E, precisamente, a crise da educação é a prova de que, apesar da sábia proposta da UNESCO, persistimos na irrelevância e na obsolência de nosso afã em transmitir principalmente informação. Os jovens necessitam de uma educação que s ajudem a crescer como seres humanos, antes de tudo. E, não de que a eles seja imposto um regime alienante.

Só me resta mencionar que a síntese para qual apontam minhas reflexões sobre uma possível educação preventiva, longe de construir uma utopia distante, já se forjou, e existe em forma de um método para formação de professores que, precisamente, contempla os ingredientes mencionados. Refiro-me ao PROGRAMA SAT, fruto de já uns 40 anos de experimentos com grupos, que aplicado em grande escala poderia capacitar os mestres em formação para a nova educação, aqui proposta. Porém, descrever tal programa seria um tema demasiado extenso neste momento. Termino estas palavras esperando que minha breve noticia a cerca deste método inovador possa interessar governos, administradores da educação, universidades, colégios e escolas.

Espero que minhas palavras possam também chegar as pessoas que tem possibilidades de contribuir na materialização de uma educação transformadora por meio de recurso necessário para oferecer as indispensáveis bolsas de estudo aos empobrecidos educadores e também a produção de programas como este – em vista do limitado orçamento educacional dos governos, cada vez mais sujeitos a vontade do império transnacional do dinheiro.

Sentir-me-ia muito feliz se algum dia meu pensamento chegasse aos poderosos do império global, a quem, penso, corresponde, em justiça – mais que ninguém – , financiar a transformação da sociedade. Essa que tanto sofreu o resultado de suas decisões, tem em suas mãos que os jovens de hoje possam, amanhã, viver em uma paz amorosa e gerar melhores formas de vida e melhores instituições do que aquelas que prevalecem em nossa civilização patriarcal, em sua crise de obsolência.

(*) Psiquiatra, educador e criador da Escola SAT para o Desenvolvimento Psicoespiritual – Berkeley / Estados Unidos

Fonte: SAT NA EDUCAÇÂO

A experiência pioneira dos professores de Porto Velho e a humanização na educação.

ENEASAT (Instituto Eneasat Brasil)

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